A Prime Video tem se consolidado como a maior e melhor produtora para dar vida aos nossos livros preferidos. E apesar de algumas considerações em cada adaptação, uma coisa é certa, eles mantem a qualidade em todos eles.
Foi assim com Vermelho, Branco e Sangue Azul, Mentirosos (sim, vou dizer sem medo: a adaptação ficou muito melhor que o livro), O Verão que Mudou Minha Vida, Off Campus e, mais recentemente, Depois Daquele Ano.
Baseada no livro Depois Daquele Verão, da autora Carley Fortune, a série estreou em junho e trouxe bastante material para discussão.
A série acertou muito em trazer a Chantal para a cidade junto com Persy, assim como dar destaque para Delilah. Apesar das minhas ressalvas com essa última pelos primeiros episódios, foi realmente interessante a forma como eles construíram a amizade delas e incluiram a Chantal ao trio.
Jordie, aliás, é provavelmente o melhor personagem da série. Sem discussão.
E, mais uma vez, a Prime Video acertou em cheio na trilha sonora.
Infelizmente, os elogios terminam aqui.
A série se perde na própria narrativa. Percy retorna a Barry’s Bay após dez anos e encontra pessoas que um dia foram seus melhores amigos tratando-a como se ela tivesse cometido um crime imperdoável. E ela aceita esse tratamento porque também acredita carregar uma culpa enorme.
O problema, é que, ao contrário do livro, ninguém sabe qual foi o erro que ela cometeu há tantos anos. Todos acham que ela foi embora, após Sam, seu namorado de infância, terminar o namoro por e-mail.
Não sei vocês, mas, nesse contexto, Percy me parece a única vítima da história. As atitudes dos outros personagens são completamente desproporcionais ao que aconteceu.
Ainda assim, insistimos. Buscamos motivos para continuar assistindo, apesar das mudanças questionáveis feitas pela adaptação – não preciso falar sobre Sam apresentando Taylor como sua namorada, certo?
Mas, para mim, o maior erro da série não está nas mudanças da trama.
Está no timing.
Lançar Depois Daquele Ano apenas um mês após o fenômeno Off Campus foi uma decisão infeliz.
Durante semanas ficamos completamente obcecadas por essa série. As redes sociais foram dominadas por conteúdos sobre a série, destacando justamente o cuidado em construir personagens emocionalmente saudáveis e relacionamentos mais maduros.
Repetimos incansavelmente que estávamos cansadas de séries e filmes de romance com personagens tóxicos, com relações disfuncionais e agradecemos por Off Campus fugir dessa regra,
Então, um mês depois, recebemos uma série que contém todos os elementos que exaltamos a outra por não ter.
Talvez, se Depois daquele ano, tivesse sido lançada antes, a recepção fosse diferente. Infelizmente não foi.
Ela não me convenceu, não consegui torcer pelo casal principal e principalmente, não me deixou com nenhuma vontade de assistir a próxima temporada.
Espero que as coisas possam mudar se a segunda temporada por anunciada. Até lá, volto a assistir Off Campus e fingir que o último lançamento não existiu.


