• 11 de junho de 2026
  • Gedi Pereira
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O ano é de Copa do Mundo, mas a relação entre futebol e moda está longe de ser uma novidade. Não é de hoje que o futebol ocupa espaço cada vez maior na moda. O esporte sempre exerceu grande influência sobre o vestuário, mas nos últimos anos o futebol passou a marcar presença não apenas no estilo urbano, mas também nas passarelas. O que antes era visto apenas como uniforme esportivo passou a integrar o repertório fashion, tornando o futebol como uma das principais referências estéticas da atualidade. 

Com raízes profundamente ligadas ao streetwear, as camisas de clubes e seleções, historicamente associadas às periferias e aos campos de várzea, romperam fronteiras e se transformaram em uma tendência global. O movimento alcançou inclusive o mercado de luxo, com marcas como Balenciaga e Gucci incorporando elementos inspirados no universo futebolístico em suas coleções. A aproximação entre moda e esporte mostra como peças originalmente funcionais passaram a ser reinterpretadas como símbolos de estilo e identidade. 

No Brasil, esse diálogo também se fortalece. Recentemente, a Piet, marca comandada por Pedro Andrade, lançou uma colaboração com a Riachuelo que celebra a cultura do futebol e reforça referências à brasilidade. A coleção combina elementos da alfaiataria com jerseys esportivas, demonstrando como a camisa de futebol pode ser incorporada a produções contemporâneas sem perder sua essência popular. 

Em meio a tantos “cores” que definem estilos pelo mundo, ganha força o chamado Blokecore. Apesar do nome recente, o conceito tem origem na Inglaterra dos anos 1990 e 2000, quando era utilizado para descrever o visual característico dos torcedores britânicos. Atualmente, o termo define uma estética casual baseada no uso de camisas de times e seleções como peça central do visual. 

Entretanto, a prática de vestir a camisa do time do coração é muito mais antiga e profundamente enraizada na cultura brasileira. Muito antes de ser reconhecida como tendência, a camisa de futebol já funcionava como um símbolo de pertencimento, orgulho e identidade coletiva, especialmente nas periferias. Nas ruas, ela sempre representou mais do que uma escolha estética. Sempre foi uma forma de expressar vínculos culturais, afetivos e territoriais. 



Em um ano de Copa do Mundo, principal torneio do futebol mundial, essa estética naturalmente ganha ainda mais visibilidade. Celebridades, influenciadores e criadores de conteúdo passam a incorporar camisas de seleções em seus looks, ampliando a presença desse universo nas redes sociais e no mercado da moda. 

Ainda assim, é importante lembrar que essa não é uma tendência criada pelas passarelas. Trata-se de uma estética que nasceu e se desenvolveu nas ruas, impulsionada pela cultura popular e pelo streetwear. Portanto, embora o futebol esteja cada vez mais presente nas coleções e editoriais, seu protagonismo continua pertencendo às quebradas, às arquibancadas e aos espaços que transformaram essa peça em um símbolo cultural muito antes de ela se tornar objeto de desejo da moda global.esportivo passou a integrar o repertório fashion, tornando o futebol como uma das principais referências estéticas da atualidade. 

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