Fundada pelo casal Felipe e Juliana Matayoshi, a Pace no início era somente uma marca de calçados. Aos poucos eles foram incluindo vestuário em suas coleções. E recentemente, quase dez anos depois, a grife estreou nas passarelas, na Praça das Artes, no centro de São Paulo.
Com sua identidade notável do streetwear masculino nacional, a Pace não só debutou nas passarelas, mas também pela primeira vez apresentou sua coleção feminina.
Sob a direção criativa de Felipe e Juliana Matayoshi, a coleção buscou inspiração no vestuário tradicional do kendô para desenvolver peças que equilibram precisão nos cortes e funcionalidade. O desfile apresentou calças curtas com pregas, jaquetas bomber, camisas de modelagem alongada e uma forte presença de couro e denim, compondo propostas que aliam conforto, versatilidade e sofisticação.
A coleção apresentou cinco propostas femininas, entre vestidos, tops, saias transparentes e conjuntos, que reforçam os códigos estéticos da Pace sob uma perspectiva mais delicada e fluida. As propostas femininas foram desenvolvidas para atender a um público que já representa cerca de 26% de clientes da Pace. Pela primeira vez, a marca também incorporou referências japonesas de maneira mais evidente em sua coleção.





As referências ao kendô estiveram presentes de forma sutil e contemporânea. Cintos utilitários com bolsos, coletes inspirados no Dō e chapéus reinterpretaram elementos característicos do traje tradicional. A alfaiataria dialogou com a construção do hakama, enquanto a técnica japonesa do furoshiki inspirou pregas e recortes que remetiam ao origami. Em casacos, vestidos e conjuntos, essas referências resultaram em composições que equilibraram precisão técnica, funcionalidade e leveza estética.
Hoje a Pace está presente em 21 multimarcas internacionais, desde que a dupla passou a realizar vendas em showrooms duas vezes ao ano durante a semana de moda de Paris.
O reconhecimento alcançado pela marca evidencia a projeção que o streetwear brasileiro vem conquistando no cenário internacional nos últimos anos. Na passarela, a coleção abriu espaço para experimentações criativas, como aplicações de fuxicos confeccionados a partir de etiquetas reaproveitadas, coletes inspirados em armaduras e um olhar mais apurado para a alfaiataria. Embora essas propostas tenham ganhado destaque no desfile, elas chegam ao consumidor em versões mais acessíveis e adaptadas ao cotidiano, preservando a essência da marca e o compromisso com o público que acompanha sua trajetória desde o início.






